Economia

Ata do Copom: nossa visão

Para equipe econômica do C6 Bank, comandada por Felipe Salles, Copom sinaliza taxa Selic terminal em 12,75%


Leia a íntegra da análise da equipe econômica do C6 Bank, comandada pelo economista-chefe Felipe Salles, sobre a ata do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central divulgada nesta terça-feira (22).

Comitê sinaliza taxa Selic terminal em 12,75%

O Banco Central divulgou nesta terça (22) a ata das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) dos dias 15 e 16 de março, apresentando mais detalhes sobre os rumos da política monetária. No documento, o Comitê afirmou que o horizonte relevante inclui o ano de 2022 e, principalmente, o de 2023. Na próxima reunião, o horizonte deve passar a ser apenas o ano de 2023.

Diante da alta volatilidade recente dos preços das commodities, em particular do petróleo, resultante do conflito na Europa, o comitê apresentou um cenário alternativo ao cenário de referência. Esse cenário embute preços de petróleo do mercado futuro, vigentes na semana anterior à reunião do Copom, com queda para 2022, e é considerado pelo comitê o de maior probabilidade. Nesse cenário, as projeções de inflação do Copom situam-se em 6,3% para 2022 e 3,1% para 2023 (ligeiramente abaixo da meta de 3,25%). Por outro lado, as projeções de inflação do BCB no cenário de referência situam-se em torno de 7,1% para 2022 e de 3,4% para 2023 (ligeiramente acima da meta de 3,25%). Ambos os cenários supõem trajetória de juros projetada pelo boletim Focus, que se eleva até 12,75% em 2022 e recua para 8,75% ao final de 2023.

O texto reitera que a trajetória de juros projetada (pelo boletim Focus) “implica patamar significativamente contracionista da política monetária” e “é compatível com o combate aos efeitos de segunda ordem do atual choque de oferta”. Ou seja, juros a 12,75% seria suficiente para a convergência da inflação à meta em 2023 no cenário alternativo. Entretanto, caso a trajetória de preços se mostre mais próxima à observada no cenário de referência, o Comitê avalia que o ciclo deverá ser ainda mais contracionista.

Os membros do Copom concluíram que “um novo ajuste de 1,00 ponto percentual, seguido de ajuste adicional de mesma magnitude, é a estratégia mais adequada para atingir aperto monetário suficiente e garantir a convergência da inflação ao longo do horizonte relevante, assim como a ancoragem das expectativas de prazos mais longos”. Note que o comitê se referiu a ajuste adicional no singular, ou seja, sinaliza que a próxima alta deve finalizar o ciclo atual de ajuste nos juros.

Entretanto, o Comitê “reforça que estará pronto para ajustar o tamanho do ciclo de aperto monetário, caso o cenário evolua desfavoravelmente”. Ou seja, o Copom deixa aberta a possibilidade para altas adicionais, caso necessário. Em particular, este seria o caso se o preço do petróleo evoluir em linha ao descrito no cenário de referência. De acordo com o texto, “caso o cenário prospectivo se mostre mais próximo ao observado no cenário de referência, o Comitê avalia que este ciclo deverá ser ainda mais contracionista.”

Em suma, acreditamos que a comunicação é condizente com um cenário de uma alta adicional de 100 pontos-base na reunião de maio, elevando a taxa Selic ao nível de 12,75%, finalizando o ciclo de ajuste monetário. No entanto, pensamos que, em maio, o cenário ainda estará envolto em grande incerteza e por isso o comitê não irá se comprometer com os passos seguintes de política monetária. Em outras palavras, o comitê optará por obter mais informações sobre a dinâmica inflacionária em geral e os preços das commodities em particular, para só na reunião de junho decidir se de fato manterá a Selic em 12,75% ou se dará continuidade ao ciclo de alta de juros.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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