Economia

Copom deve subir Selic em 0,5 ponto e deixar próximo passo em aberto

Confira na íntegra a projeção da equipe econômica do C6 Bank para a taxa básica de juros


O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) deve aumentar mais uma vez a taxa básica de juros, segundo a projeção da equipe econômica do C6 Bank. A expectativa é que a taxa Selic passe dos atuais 12,75% ao ano para 13,25% — uma alta de um ponto percentual.

A informação consta na nota divulgada pela equipe liderada pelo economista-chefe Felipe Salles nesta sexta-feira (10). Leia, abaixo, a nota completa preparada pela equipe econômica do C6 Bank:

O Banco Central decidirá a taxa de juros na próxima quarta-feira (15/junho). Esperamos alta de 50 pontos-base, levando a taxa Selic para 13,25% ao ano. Com relação à comunicação, acreditamos que o comitê não deve se comprometer com novas altas de juros.

Na última reunião, em maio, o Comitê elevou a taxa Selic em 100 pontos-base, para 12,75%, e sinalizou como provável uma extensão do ciclo com um ajuste de menor magnitude para a reunião seguinte. Na ata, o Copom ressaltou que “o ciclo de aperto monetário corrente foi bastante intenso e tempestivo e que, devido às defasagens de política monetária, ainda não se observa grande parte do efeito contracionista esperado”, sinalizando que gostaria de parar para observar os efeitos das políticas já adotadas. De fato, na nossa visão, a manutenção da taxa Selic em patamares significativamente contracionistas por um período prolongado seria mais efetiva para trazer a inflação à meta do que elevações adicionais de juros.

As projeções de inflação do BCB no cenário de referência, no qual considera agora preços de petróleo do mercado futuro, vigentes na semana anterior à reunião do Copom de maio, até 2022, situavam-se em 7,3% para este ano e em 3,4% para o próximo ano (ligeiramente acima da meta de 3,25%). Desde a última reunião, tivemos alterações no cenário prospectivo para a inflação. Houve leve apreciação da taxa de câmbio, que passou de 4,95 para 4,82. No Boletim Focus, houve leve alta nas projeções de taxa de juros para o final de 2023 (passou de 9,25% para 9,75%) e mais importante, uma alta na projeção de IPCA para este ano (passou de 7,89% para 8,89%).

A inflação corrente elevada e persistente, combinada com a piora das expectativas de mercado, deve levar o comitê a decidir por um ajuste de 50 pontos-base na reunião de junho, conforme tinha sinalizado provável. Poderia, também, levar o Copom a optar por estender o ciclo de ajuste monetário. Entretanto, há propostas em tramitação no Congresso com o intuito principal de reduzir impostos sobre eletricidade e combustíveis, que podem ter impacto significativo (para baixo) na inflação de 2022 e, consequentemente, na de 2023 (via inércia). É possível que, caso esses projetos sejam aprovados, os modelos do BCB passem a indicar uma inflação próxima à meta em 2023. Diante desse cenário de incerteza, acreditamos que o comitê deve optar por deixar em aberto o próximo passo de política monetária.

Vale ressaltar que, a partir da reunião de agosto, o BCB deve estender seu horizonte relevante de política monetária e passar a olhar também para o ano de 2024. Como, nos modelos do BCB, as projeções para este ano (apresentadas no Relatório de Inflação de março – 2,4% no cenário de referência e 2,3% no cenário alternativo) se encontram abaixo da meta de 3%, entendemos que haveria pouco espaço para fazer elevações de juros a partir do segundo semestre do ano corrente.

Em resumo, acreditamos que o cenário é condizente com uma alta adicional de 50 pontos-base na reunião de junho, elevando a taxa Selic ao nível de 13,25%, finalizando o ciclo de ajuste monetário. A Selic deve permanecer neste patamar até pelo menos o último trimestre de 2023.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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