Economia

Copom deve subir Selic em 1 ponto e deixar próximo passo em aberto

Confira na íntegra a projeção da equipe econômica do C6 Bank para a taxa básica de juros


O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) deve aumentar mais uma vez a taxa básica de juros, segundo a projeção da equipe econômica do C6 Bank. A expectativa é que a taxa Selic passe dos atuais 11,75% ao ano para 12,75% — uma alta de um ponto percentual.

A informação consta na nota divulgada pela equipe liderada pelo economista-chefe Felipe Salles nesta sexta-feira (29). Leia, abaixo, a nota completa preparada pela equipe econômica do C6 Bank:

O Banco Central decidirá a taxa de juros na próxima quarta-feira (4/maio). Esperamos alta de 100 pontos-base, levando a taxa Selic para 12,75% ao ano.

Na última reunião, em março, o Comitê elevou a taxa Selic em 100 pontos-base, para 11,75%, e sinalizou que um “ajuste adicional de mesma magnitude é a estratégia mais adequada para atingir aperto monetário suficiente e garantir a convergência da inflação ao longo do horizonte relevante, assim como a ancoragem das expectativas de prazos mais longos”.

Acreditamos que o comunicado e a ata da reunião de março são condizentes com um cenário de uma última alta adicional de 100 pontos-base na reunião de maio, elevando a taxa Selic ao nível de 12,75% ao final do ciclo de aperto monetário e permanecendo neste patamar até pelo menos o final do ano. Nas comunicações seguintes, o BCB reiterou que a taxa de juros atual da economia já seria contracionista, deixando claro que gostaria de observar os efeitos defasados desse aperto monetário na economia, reforçando, portanto, essa sinalização.

No entanto, desde então, houve algumas mudanças nos indicadores que afetam o cenário prospectivo para a inflação. A inflação corrente segue forte, com pressão tanto nos itens de bens industriais quanto de serviços. As projeções de inflação para 2022 do Boletim Focus subiram tanto para 2022 (de 6,45% para 7,65%) quanto para 2023 (de 3,7% para 4%). Por outro lado, houve leve apreciação da taxa de câmbio, que passou de R$ 5,05 para R$ 4,95. Acreditamos que essas alterações não justificam uma mudança na decisão do Copom de 4 de maio, mas abre espaço para uma possível última alta adicional na reunião de junho, caso necessário.

Neste sentido, o Copom deve deixar em aberto a possibilidade de finalizar o ciclo de alta de juros na reunião de junho. A partir da reunião subsequente (em agosto), o BCB deve estender seu horizonte relevante de política monetária e passar a olhar também para o ano de 2024. Como, nos modelos do BCB, as projeções para este ano (apresentadas no Relatório de Inflação de março – 2,4% no cenário de referência e 2,3% no cenário alternativo) se encontram abaixo da meta de 3%, entendemos que não seria apropriado fazer elevações de juros a partir do segundo semestre.

Adicionalmente, na nossa visão, a manutenção da taxa Selic em patamares significativamente contracionistas por um período prolongado seria mais efetiva para trazer a inflação à meta do que elevações adicionais de juros. Portanto, o Copom deve deixar a porta aberta para uma última alta em junho, mas sinalizar que não haverá altas adicionais.

Em suma, acreditamos que o BCB irá optar por uma última alta adicional de 100 pontos-base na reunião de maio, elevando a taxa Selic ao nível de 12,75% ao final do ciclo de aperto monetário, mas reconhecemos que a chance de uma alta terminal na reunião de junho aumentou.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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