Economia

Copom sobe Selic em 0,5 ponto e sinaliza novo ajuste

Leia a íntegra da análise da equipe econômica do C6 Bank


O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira (15) o aumento de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros. Com a decisão, a Selic saltou de 12,75% para 13,25% ao ano.

Leia a íntegra da análise da equipe econômica do C6 Bank, liderada pelo economista-chefe, Felipe Salles:

O Banco Central do Brasil (BCB) confirmou as expectativas e elevou a taxa Selic nesta quarta-feira em 50 pontos-base, de 12,75% para 13,25%. Com relação à comunicação, o comitê sinalizou um novo ajuste, de igual ou menor magnitude, para a próxima reunião em agosto.

As projeções de inflação do BCB no cenário de referência subiram de 7,3% para 8,8% para 2022 e de 3,4% para 4% para 2023. Para 2024, o modelo indica inflação de 2,7%. Este cenário supõe trajetória de juros que se eleva até 13,25% ao final de 2022 e reduz-se para 10% ao final de 2023. O comitê deixou claro que “as projeções do cenário de referência não incorporam o impacto das medidas tributárias sobre preços de combustíveis, energia elétrica e telecomunicações que estão em tramitação.” Adicionalmente, o Copom avaliou que “as medidas tributárias em tramitação reduzem sensivelmente a inflação no ano corrente, embora elevem, em menor magnitude, a inflação no horizonte relevante de política monetária.” Com isso, sinaliza que sua projeção deve subir no horizonte relevante de política monetária caso tais medidas sejam implementadas.

O BCB reafirmou que, “diante de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário continue avançando significativamente em território ainda mais contracionista”. Esse trecho justifica a continuação das elevações de juros. De fato, as projeções da Pesquisa Focus encontram-se acima das metas tanto em 2022 (8,5% versus 3,5%) quanto em 2023 (4,7% versus 3,25%).

Quanto aos próximos passos, o Comitê “antevê um novo ajuste, de igual ou menor magnitude” para a próxima reunião. O texto reitera que “a crescente incerteza da atual conjuntura, aliada ao estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos ainda por serem observados, demanda cautela adicional em sua atuação.”

Vale ressaltar que, nas duas próximas reuniões, o BCB deve estender seu horizonte relevante de política monetária, passando a olhar também para o ano de 2024, ainda que com peso menor do que o ano de 2023. Em função da deterioração da perspectiva inflacionária para 2023, ano que seguirá sendo o foco principal da política monetária, entendemos que o ciclo de aperto monetário deve se estender por mais tempo.

Em resumo, acreditamos, por ora, que a comunicação e as projeções do BCB são condizentes com a continuação do ciclo de alta de juros por pelo menos mais duas reuniões, mas em ritmo igual ou menor do que 50 pontos-base. Aguardamos a ata da reunião, que será divulgada na próxima terça (21), para termos mais detalhes sobre os rumos futuros da política monetária.

Equipe Econômica C6 Bank:

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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