Economia

“Esperamos alta de 100 pontos-base da Selic e discurso mais duro na próxima reunião do Copom”

A previsão é da equipe econômica do C6 Bank. Leia a nota sobre a reunião do Copom


O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) deve aumentar mais uma vez a taxa básica de juros na reunião desta semana, segundo a previsão da equipe econômica do C6 Bank. A expectativa é que a taxa Selic passe dos atuais 10,75% para 11,75% ao ano — uma alta de um ponto percentual.

A informação consta da nota divulgada pela equipe liderada pelo economista-chefe Felipe Salles nesta segunda-feira (14).

Leia, abaixo, a nota completa preparada pela equipe econômica do C6 Bank:

Esperamos alta de 100 pontos-base da Selic e discurso mais duro na próxima reunião do Copom

O Banco Central decidirá a taxa de juros na próxima quarta-feira (16/mar). Esperamos alta de 100 pontos-base, trazendo a taxa Selic para 11,75% ao ano.

A inflação corrente segue forte, com pressão tanto nos itens de bens industriais quanto de serviços. Na última reunião, o Comitê elevou a taxa Selic em 150 pontos-base, para 10,75%, e sinalizou que ajustes adicionais em ritmo menor nas próximas reuniões é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação ao longo do horizonte relevante e ancorar as expectativas de prazos mais longos.

Na ata da última reunião, o Copom ponderou que, em seu balanço de riscos, os desenvolvimentos no cenário fiscal trazem um risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, gerando um viés de alta em suas projeções.

Acreditamos que a comunicação da reunião de fevereiro e a ata do Banco Central eram condizentes com um cenário de uma alta adicional de 100 pontos-base na reunião de março, seguido de outras duas altas de 50 pontos-base, elevando a taxa Selic ao nível de 12,75% ao final do ciclo de aperto monetário e permanecendo neste patamar até pelo menos o final do ano.

Desde a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no início de fevereiro, houve algumas mudanças nos indicadores que afetam o cenário prospectivo para a inflação. As projeções de inflação para 2022 do Boletim Focus subiram tanto para 2022 (de 5,40% para 6,45%) quanto para 2023 (de 3,5% para 3,7%). Por outro lado, houve apreciação da taxa de câmbio, que passou de R$ 5,45 para R$ 5,05. Essas alterações poderiam justificar uma mudança na estratégia do Banco Central já na próxima reunião. No entanto, acreditamos que o comitê irá manter, por ora, sua estratégia, devido ao elevado grau de incerteza do atual cenário.

Boa parte dessas mudanças reflete o choque nos preços das commodities decorrente do recente conflito na Ucrânia. A alta nos preços de commodities afeta as previsões de inflação e a continuação da ruptura nas cadeias globais de produção pode gerar mais pressão à frente. No entanto, o cenário ainda é muito incerto e, nesse contexto, o Copom pode optar por aguardar para obter novas informações e então redefinir a melhor estratégia de atuação. Em particular, dado o maior peso do ano calendário de 2023 no horizonte relevante de política monetária, acreditamos que, em caso de necessidade de ajustes adicionais na taxa de juros, o Copom teria a opção de implementar novas altas de juros à frente. Em resumo, esperamos que o Comitê eleve a taxa Selic em 100 pontos- base para 11,75%.

De qualquer modo, vemos dois riscos para este cenário. O primeiro seria o comitê optar com um ajuste de 150 pontos-base já na reunião de março. Essa decisão de fato poderia ajudar a ancorar as expectativas de inflação para 2023. O segundo, na nossa visão, o mais relevante, é o ciclo de juros precisar ser mais longo (taxa terminal acima de 12,75%), seja através de um ajuste mais prolongado (para além da reunião de junho) ou por um ajuste mais intenso do que projetamos nas próximas reuniões (duas altas de 100 pontos seguida de uma de 50).

Em suma, esperamos, por ora, alta de 100 pontos-base nesta reunião, seguida de duas altas de 50, elevando a taxa Selic ao nível de 12,75% ao final do ciclo de aperto monetário. No entanto, aumentou o risco de o comitê precisar subir os juros para além deste nível, seja por um ajuste mais célere do que projetamos ou mais prolongado. Para 2023, acreditamos ser possível alguma retirada do aperto monetário. Projetamos, por ora, Selic em 10% no final do ano. O comunicado da próxima reunião deve trazer informações relevantes sobre os próximos passos da política monetária.

Equipe Econômica C6 Bank:

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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