Economia

Para equipe econômica do C6 Bank, Selic deve seguir elevada por um longo período

Ata do Copom, divulgada nesta terça-feira, revela preocupação do Banco Central com a inflação de 2023


Fachada do prédio do C6 Bank para ilustrar a análise da equipe econômica sobre a Selic

O Banco Central divulgou nesta terça-feira a Ata do Copom, documento com detalhes sobre a decisão do Comitê de Política Monetária em aumentar a taxa básica de juros (Selic) em 1,5 ponto percentual na semana passada. Com base nas informações contidas no documento, a equipe econômica do C6 Bank avalia que os juros devem continuar elevados no ano que vem, atingindo 11,75% no pico de 2022. O movimento se justifica pela estratégia do BC em controlar a inflação não só no ano que vem, como também em 2023.

Abaixo, veja a íntegra do relatório produzido pela equipe econômica do C6 Bank, sob a liderança do economista-chefe Felipe Salles.

O Banco Central divulgou nesta terça (14) a ata das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) dos dias 7 e 8 de dezembro, apresentando novas informações sobre os rumos da política monetária. No documento, o Comitê retirou a ênfase à convergência da inflação à meta em 2022, e reforçou a menção à convergência ao longo do horizonte relevante, que inclui os anos-calendário de 2022 e 2023. Na próxima reunião, o comitê deve sinalizar mais foco em 2023.

As projeções de inflação do BCB no cenário básico situam-se em torno de 4,7% para 2022 e de 3,2% para 2023. Este cenário supõe trajetória de juros que se eleva até 11,75%, porém recua para 11,25% ao final de 2022 e para 8% ao final de 2023.

O Copom avaliou que “o risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, derivado dos desenvolvimentos no cenário fiscal, indica que há viés altista para as projeções no cenário básico”. Como consequência, concluiu que “o ciclo de aperto monetário deverá ser mais contracionista do que o utilizado no cenário básico por todo o horizonte relevante”.

Em nossa visão, o comitê considerou duas estratégias: (i) adotar ritmos de ajuste maiores do que o de 1,5 ponto percentual ou (ii) preservar o ritmo de ajuste atual, mas manter a taxa de juros elevada por período mais longo do que a implícita no cenário básico. Prevaleceu a visão de que a estratégia com ritmo de ajuste de 1,5 ponto percentual é, neste momento, adequada para a convergência da inflação à meta ao longo do horizonte relevante e para consolidar a ancoragem das expectativas de prazos mais longos.

Em suma, acreditamos que a comunicação é compatível com o nosso cenário de uma alta adicional de 150 pontos base, seguido de outra alta de 100 pontos base na reunião de março, elevando a taxa Selic ao nível de 11,75% ao final do ciclo de aperto monetário e permanecendo neste patamar por longo período. Entretanto, o cenário macroeconômico segue volátil e o plano de voo da política monetária pode ser reajustado.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles                   Head

Claudia Moreno      Head Brasil

Claudia Rodrigues    Head Internacional

Felipe Mecchi               Internacional

Heliezer Jacob            Brasil

Este relatório foi preparado pelo Banco C6 S.A.

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