Seu Bolso

Quer ter um carro próprio? Veja que custos devem ser colocados na ponta do lápis

Entenda quais despesas considerar antes de comprar um carro novo.


Ter um carro na garagem é uma escolha que cobra um custo e oferece benefícios. Mas os números envolvidos nessa conta mudaram bastante em 2021. Para começo de conversa, os preços dos carros novos dispararam. Alta do dólar, desabastecimento de componentes e a opção das montadoras por modelos de maior valor agregado, deixando os populares de escanteio, são fatores que pesaram – e acabaram inflacionando até o mercado de usados.

Ao mesmo tempo, os preços dos combustíveis também foram reajustados com mão pesada. Só nos seis primeiros meses de 2021, o etanol encareceu 32,6%, a gasolina subiu 19,5% e o diesel, 18%. Considerando que a variação do IPCA foi de 3,77% no período, dá para dizer que os três combustíveis subiram muito mais que a inflação.

Nesse cenário, pode ser o caso de repensar se bancar essa comodidade ainda faz sentido. A resposta a essa questão não será a mesma para todos, porque não depende apenas da matemática: envolve também questões subjetivas, que são igualmente importantes. Veja o que é preciso considerar.

Quanto custa ter e manter um carro?

O valor da compra do modelo escolhido é só o primeiro de muitos desembolsos que precisam ser colocados na ponta do lápis. Considere também o gasto com combustível, os impostos (apenas IPVA e licenciamento, já que o seguro obrigatório DPVAT não é mais cobrado) e o valor do seguro.

As despesas com manutenção são importantes: se você não fizer as revisões dentro dos prazos estabelecidos pela montadora, perderá a garantia de fábrica do veículo – e a economia pode custar caro. Coloque na conta, ainda, o aluguel mensal da garagem (ou mensalidade do estacionamento), se necessário. E pelo menos uma lavagem por mês.

Ainda não acabou! Leve em conta a depreciação que o veículo sofrerá ao longo do tempo – e que não é a mesma para todos os modelos. Para ficar em alguns exemplos, hatches compactos se desvalorizam menos que modelos de maior valor agregado, pois têm mais liquidez; marcas japonesas preservam mais valor por sua fama de duráveis, enquanto as de origem francesa sofrem com o estigma das peças caras (mesmo que isso nem sempre seja verdade). A perda de valor é mais acentuada no primeiro ano de uso e vai se amenizando nos seguintes, até ficar linear a partir do quarto ano.

Por fim, é preciso considerar o custo de oportunidade: o dinheiro que você deixou de ganhar ao não investir o valor da compra do carro.

Faça as contas

Para colocar tudo isso na ponta do lápis, o primeiro passo é descobrir qual seria o seu perfil de uso do carro: a distância dos seus trajetos diários, a frequência com que gostaria de viajar nos finais de semana e outros deslocamentos que fazem parte da sua rotina.

O setor automotivo tradicionalmente usa como referência uma média de mil quilômetros por mês, ou 12 mil km por ano, a partir de hábitos de consumidores brasileiros de grandes cidades que usam o carro em deslocamentos diários de casa para o trabalho.

Vale a pena também fazer cotações do seguro do modelo desejado em várias companhias, pois o valor da apólice muda muito conforme o perfil de risco de cada segurado.

Como o carro se encaixa na minha vida?

Números à parte, a decisão de ter ou não um carro envolve fatores menos tangíveis, como o conforto (especialmente em dias de chuva), a sensação de segurança e até a busca por status.

Há situações em que o carro próprio faz mais sentido, como famílias com crianças pequenas ou idosos, que podem precisar de atendimento médico rápido em emergências.

Mas mesmo para pessoas que não estão na situação acima, possuir um carro pode ser importante. No final das contas, a decisão é individual. Só não esqueça de colocar os custos na ponta do lápis, para que a compra seja sem sustos e você aproveite seu novo bem com mais tranquilidade.