Economia

Relatório semanal: Bancos centrais reagem em meio a cenário inflacionário

Confira as principais notícias da semana, segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank


Confira as principais notícias da semana (13/6-17/6), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Internacional

Estados Unidos: Fed sinaliza juros mais elevados

O banco central americano (Federal Reserve – Fed) elevou o intervalo de juros para 1,5% e 1,75% ao ano, subindo a taxa básica em 75 pontos-base. O aumento foi maior do que havia sido indicado na reunião anterior, em razão de uma inflação acima do esperado. Este foi o terceiro aumento consecutivo da taxa e o primeiro de 75 pontos-base desde 1994. No comunicado, o Comitê indicou que mais aumentos serão apropriados nas próximas reuniões. Quanto ao balanço patrimonial, o comunicado citou que a redução continua conforme anunciado na reunião de maio. Membros do comitê revisaram para baixo suas expectativas de crescimento da economia americana e aumentaram suas expectativas de inflação, sinalizando também uma política monetária mais restritiva com taxa de juros acima de 3% no fim deste ano.

O índice de otimismo das pequenas empresas, medido pela Federação Nacional de Empresas Independentes (NFIB, na sigla em inglês), diminuiu 0,1 ponto para 93,1 em maio, permanecendo abaixo do nível pré-pandemia. As pequenas empresas continuam sinalizando pressões de preços e salários e dificuldades na contratação de trabalhadores.

A atividade perdeu força em maio. As vendas no varejo contraíram 0,3% em relação ao mês anterior, segundo o Departamento de Comércio. Houve queda maior na venda de veículos e peças (-3,5%). Apesar da desaceleração, as vendas continuam acima da tendência pré-pandemia. A produção industrial desacelerou para 0,2% no mesmo período, segundo o banco central americano. Houve crescimento na produção de veículos e autopeças, e o nível se aproximou da média pré-pandemia.

O setor imobiliário tem apresentado retração na atividade. Os índices de permissão para construir e de construção de novas moradias encolheram 7% e 14,4%, respectivamente, em maio frente ao mês anterior, segundo o Departamento de Comércio. Apesar da queda, novas construções seguem um pouco acima do nível pré-pandemia. A confiança das construtoras (NAHB Housing Market Index) diminuiu 2 pontos, recuando para 67 em junho. Esta foi a sexta queda consecutiva do índice, que permanece elevado, mas sinaliza moderação de construções nos próximos períodos.

O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) segue sólido, acelerou para 0,8% em maio frente ao mês anterior e nos últimos 12 meses acumula alta de 10,8%, sinalizando que algum repasse à inflação ao consumidor ainda está por vir.

Os índices regionais de atividade industrial do Fed sugerem enfraquecimento dos negócios em junho. O índice do Empire State e do Filadelfia Fed sinalizaram contração da atividade. Os índices tiveram sinais mistos quanto à demanda e produção, mas em comum, sinalizam uma contínua pressão de preços e mercado de trabalho firme.

Europa: Banco Central indica nova ferramenta anti-fragmentação

O Banco Central Europeu (BCE) realizou reunião emergencial e sinalizou que uma nova ferramenta deve ser apresentada em breve com o objetivo de evitar uma fragmentação no bloco. A reunião ocorreu depois que títulos da dívida soberana italiana subiram rapidamente após o anúncio do BCE de que aumentos nas taxas de juros devem começar no próximo mês.

O conflito entre Rússia e Ucrânia se estende pelo quarto mês. A Rússia avançou no leste do país, mas a batalha continua para tomar a região. A Ucrânia mostra resistência e segue recebendo ajuda militar, financeira e humanitária do Ocidente. Negociações diretas entre Rússia e Ucrânia estão praticamente paradas. O conflito se estende por mais tempo do que era previsto. A Comissão Europeia recomendou que a Ucrânia se torne um candidato ao bloco.

Os preços das commodities continuam com alta volatilidade. Entre os dias 10 e 16 de junho o petróleo caiu 2%, possivelmente com reavaliação do crescimento econômico em meio a políticas monetárias mais restritivas em economias desenvolvidas. O gás natural subiu forte, o aumento de 50% ocorre em razão de menores fornecimentos russos à Alemanha, Itália e França. O governo alemão pediu uma moderação no consumo de residências e indústrias. Os preços das commodities agrícolas seguem pressionados, ainda sem progresso nas negociações de exportações de grãos ucranianos.

A atividade na Zona do Euro mostra resiliência. A produção industrial (excluindo construção) subiu 0,4% em abril frente ao mês anterior, depois de uma queda em março. A recuperação parcial do índice veio com uma melhora na produção industrial da Alemanha (1,3%), da Itália (1,6%) e da Espanha (2,1%), enquanto na França a produção se manteve estável. A produção industrial voltou a ficar acima do nível pré-pandemia. A produção de veículos subiu 6,1%, mas segue 27% abaixo do pré-pandemia.

O Banco Central da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) elevou a taxa de juros em 25 pontos-base, para 1,25%, conforme esperado. O aumento foi o quinto consecutivo. O Banco sinalizou que está preparado para aumentos maiores se necessário e aumentou sua expectativa de inflação para este ano para um pouco acima de 11%, em razão de um aumento maior no preço de energia e uma interrupção mais prolongada na cadeia de produção, causada pela invasão da Ucrânia pela Rússia e medidas restritivas na China em razão do surto de Covid-19.

A economia do Reino Unido encolheu 0,3% em abril frente ao mês anterior, com ajuste sazonal, de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas (ONS, na sigla em inglês). Houve queda na produção industrial (-0,6%) e nos serviços (-1%). Já o mercado de trabalho seguiu apertado, os salários, excluindo bônus, mantiveram a aceleração de 4,2% nos 3 meses até abril e o emprego aumentou 177 mil no mesmo período. Houve aumento na taxa de desemprego de 3,7% para 3,8%, com maior participação na força de trabalho (63,2%), que subiu pela primeira vez desde setembro 2021.

China: casos de Covid-19 diminuem

O número diário de novos casos de Covid-19 ficou abaixo de 200 nos últimos dias, depois de uma média de 233 na semana anterior. Em Xangai e Pequim as testagens em massa continuam sendo realizadas com frequência. Pequim anunciou que a situação está estável e melhorando, depois de casos não terem sido encontrados fora de áreas de isolamento. Até o fim do mês Xangai realizará testagens em massa aos fins de semana em todos os distritos.

Atividade apresentou melhora depois da gradual liberação de restrições associadas ao surto de Covid-19 e da retomada das indústrias. A produção industrial subiu 0,7% em maio frente ao mesmo mês do ano anterior, impulsionada por exportações e melhora na produção de veículos. As vendas no varejo tiveram menor contração em maio (6,7% frente ao mesmo mês do ano anterior) depois de forte queda em abril. Houve melhora nas vendas de veículos, mas serviços de restaurantes continuaram fracos. A taxa de desemprego urbano diminuiu para 5,9%, mas permanece elevada entre jovens (18,4% na faixa de 16 a 24 anos).

O investimento em ativos fixos (FAI, na sigla em inglês) desacelerou para 6,2% nos cinco primeiros meses do ano frente ao mesmo período do ano anterior. Os investimentos em manufaturas seguem sólidos e investimentos em infraestrutura aumentaram. No entanto, investimentos imobiliários continuam diminuindo em razão de dificuldades enfrentadas pelo setor. As vendas de imóveis residenciais contraíram 34,5% no mesmo período. O preço médio de casas novas em 70 cidades chinesas cedeu 0,2% em maio, nona queda consecutiva do índice, apesar de menores taxas de hipotecas anunciadas, sinalizando menor confiança de potenciais proprietários com empresas do setor.

O banco central da China (PBOC, na sigla em inglês) manteve inalterada a taxa de juros de médio prazo em 2,85%, conforme esperado. Em vez de cortar taxas de juros – o que seria um movimento contrário ao de grandes economias desenvolvidas, que já iniciaram aumento de juros, e poderia provocar fuga de capital, depreciação cambial e inflação no país – o PBOC tem mostrado preferência por políticas de crédito direcionadas a alguns setores ou agentes.

Brasil

Atividade: apesar de surpresa negativa, serviços corroboram atividade forte no 2º tri

A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de abril mostrou leve alta de 0,2% no volume de serviços na comparação mensal. O dado veio abaixo das expectativas do mercado e da nossa projeção. O segmento de serviços prestados às famílias – o mais afetado pelas restrições de mobilidade – registrou alta de 1,9% no mês, mas segue 9,6% abaixo do nível pré-pandemia. O dado reforça nossa visão de que a atividade no 2T22 apresentará expansão, porém deve registrar crescimento baixo ou negativo no 2º semestre. A alta de juros e a renda real em patamar baixo comprometem a expansão do segmento de serviços à frente.

Inflação: aprovado no Congresso projeto que limita ICMS sobre combustíveis e energia e reduz IPCA

O Senado aprovou o PLP 18/2022, Projeto de Lei Complementar que limita o ICMS de energia elétrica, combustíveis, telecomunicações (além de gás natural, querosene de aviação e transporte coletivo). Foi incluído no texto a isenção do PIS/Cofins e Cide (impostos federais) sobre gasolina e etanol. Com isso, o impacto fiscal do projeto, estimado por nós, é de aproximadamente R$ 70 bi em 2022. O impacto no IPCA é de aproximadamente 2,5% este ano. O texto precisou voltar à Câmara, onde já foi aprovado e agora segue para sanção presidencial. Com isso, colocamos forte viés de baixa para nossa projeção de 8,4% em 2022.

O IGP-10 avançou 0,74% em junho, em linha com o esperado pelo consenso de mercado, e acumula alta de 10,4% em 12 meses. O dado registrou uma aceleração em relação ao mês anterior, quando subiu 0,1%. A composição dos índices de atacado mostrou o IPA agrícola com leve queda de 0,04% frente à deflação de 1,59% no mês anterior. Adicionalmente, o núcleo do IPA industrial – que inclui apenas os itens relacionados à inflação de bens industriais do IPCA, excluindo alimentos, combustíveis e minério de ferro – segue alto, registrou elevação de 1,11% ante 1,49% em maio. O dado teve pouco impacto na nossa projeção para a inflação de 2022.

Política monetária: Copom eleva Selic a 13,25% e sinaliza novo ajuste em agosto

O Banco Central do Brasil (BCB) confirmou as expectativas e elevou a taxa Selic em 50 pontos-base, de 12,75% para 13,25%. Com relação à comunicação, o comitê sinalizou um novo ajuste, de igual ou menor magnitude, para a próxima reunião em agosto.

As projeções de inflação do BCB no cenário de referência subiram de 7,3% para 8,8% para 2022 e de 3,4% para 4% para 2023. Para 2024, o modelo indica inflação de 2,7%. Este cenário supõe trajetória de juros que se eleva até 13,25% ao final de 2022 e reduz-se para 10% ao final de 2023. O comitê deixou claro que “as projeções do cenário de referência não incorporam o impacto das medidas tributárias sobre preços de combustíveis, energia elétrica e telecomunicações que estão em tramitação”. Adicionalmente, o Copom avaliou que “as medidas tributárias em tramitação reduzem sensivelmente a inflação no ano corrente, embora elevem, em menor magnitude, a inflação no horizonte relevante de política monetária”. Com isso, sinaliza que sua projeção deve subir no horizonte relevante de política monetária caso tais medidas sejam implementadas.

Quanto aos próximos passos, o Comitê “antevê um novo ajuste, de igual ou menor magnitude” para a próxima reunião. Vale ressaltar que, nas duas próximas reuniões, o BCB deve estender seu horizonte relevante de política monetária, passando a olhar também para o ano de 2024, ainda que com peso menor do que o ano de 2023. Em função da deterioração da perspectiva inflacionária para 2023, ano que seguirá sendo o foco principal da política monetária, entendemos que o ciclo de aperto monetário deve se estender por mais tempo.

Em resumo, acreditamos, por ora, que a comunicação e as projeções do BCB são condizentes com a continuação do ciclo de alta de juros por pelo menos mais duas reuniões, mas em ritmo igual ou menor do que 50 pontos-base. Aguardamos a ata da reunião, que será divulgada na próxima terça (21), para termos mais detalhes sobre os rumos futuros da política monetária.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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