Economia

Resumo da semana: atividade perde ritmo em meio ao avanço da ômicron

Veja abaixo o relatório semanal preparado pela equipe econômica do C6 Bank.


Internacional

Estados Unidos: sinais de desaceleração da atividade em janeiro

O número de novos casos de covid-19 continua elevado e as hospitalizações parecem ter se estabilizado em patamar alto. Possivelmente o pico no número de casos ocorrerá neste mês.

Os índices regionais de atividade industrial do Fed indicaram sinais mistos em janeiro. O índice do Empire State surpreendeu negativamente, mas o Philadelphia Fed ficou um pouco acima das expectativas. Na composição dos índices, a diferença principal está nos indicadores de demanda e produção, que diminuíram no Empire State e tiveram leve recuperação no Philadelphia Fed. Os demais componentes trouxeram mensagens similares, como contínua pressão de preços e ligeira melhora dos gargalos na cadeia produtiva. Acreditamos que o dado mais fraco do Empire State tenha relação com o avanço da pandemia de covid-19.

O mercado imobiliário continua aquecido. Apesar de uma queda na venda de casas usadas em dezembro de 4,6% frente ao mês anterior, os estoques estão no mínimo da série e os preços, que já se encontram em um patamar elevado, continuam subindo. Os índices de permissões para construir e construções iniciadas de novas casas subiram no período. O otimismo das construtoras (NAHB Housing Market Index) diminuiu em 1 ponto para 83 em janeiro –- seguindo em nível alto, acima da média pré-pandemia.

Europa: menos restrições à mobilidade

Os casos de covid-19 podem estar próximos do pico em países como França, Itália e Espanha, onde a taxa de transmissão do vírus está em torno ou abaixo de 1. O primeiro-ministro francês disse que medidas mais restritivas como o uso de máscara em ambientes abertos e limite de público em eventos fechados devem terminar em fevereiro. O parlamento francês aprovou o uso do passaporte de vacina, o que significa que a partir da próxima semana apenas os completamente vacinados terão acesso a restaurantes, teatros, cinemas e poderão embarcar em viagens domésticas de trens e aviões. Alemanha, Áustria e Holanda, ainda observam aumento das infecções. No Reino Unido, os casos seguem tendência de queda. O primeiro-ministro britânico anunciou o fim das restrições impostas em dezembro para a próxima semana.

O Banco Central Europeu (BCE) divulgou a minuta de sua reunião de dezembro. O texto mostrou preocupação do comitê quanto a um possível cenário de inflação mais alta e persistente. Apesar disso, os membros têm reforçado a mensagem que um aumento de taxa de juros este ano é pouco provável.

No Reino Unido, indicadores de consumo e confiança vieram piores que o esperado. As vendas no varejo caíram 3,7% em dezembro frente ao mês anterior, possivelmente pelo aumento de casos de covid-19 e consequentes restrições à circulação. A confiança do consumidor em janeiro diminuiu de -15 para -19 – menor nível desde fevereiro de 2021 – indicando preocupações das famílias com a inflação.

Entretanto, o mercado de trabalho está aquecido e se manteve resiliente em dezembro, quando medidas restritivas para conter o avanço da ômicron entraram em vigor. A taxa de desemprego está próxima do nível pré-pandemia e as vagas em aberto permaneceram elevadas. Além disso, a inflação alcançou 5,4% nos últimos doze meses até dezembro. Tanto a pressão no mercado de trabalho quanto a alta inflação devem levar o banco central britânico (BoE, na sigla em inglês) a subir a taxa básica de juros em mais 15 pontos base na próxima reunião do comitê em fevereiro.

China: Banco Central reduz taxas de juros

O banco central da China (PBOC, na sigla em inglês) reduziu as taxas de médio prazo e de recompra reversa em 10 pontos base e as taxas de curto e longo prazo (LPRs, na sigla em inglês) em 10 e 5 pontos base para 3,7% e 4,6%, respectivamente. Desde abril de 2020 essas taxas estavam estáveis, até que o primeiro corte ocorreu na LPR de curto prazo no fim do ano passado. O vice-presidente do PBOC disse que usará mais ferramentas para estabilizar e fortalecer a economia. As medidas recentes sinalizam preocupações do governo com uma desaceleração no curto prazo e podem ajudar a melhorar perspectivas quanto ao setor imobiliário.

O PIB expandiu 8,1% em 2021, ficando bem acima da meta do governo de pelo menos 6%. Apesar disso, o crescimento foi desacelerando ao longo do ano e no 4T21 a economia cresceu 4% comparado ao mesmo trimestre do ano anterior. Durante esse período a produção industrial teve crescimento sólido, apoiada por fortes exportações, enquanto o consumo doméstico desapontou e os investimentos, principalmente no mercado imobiliário, foram fracos.

A produção industrial cresceu 4,3% em dezembro frente ao mesmo mês do ano anterior, surpreendendo positivamente. Houve aumento na produção de setores relacionados a tecnologia e automóveis, enquanto setores intensivos em energia, como aço e cimento, permaneceram fracos. As vendas no varejo cresceram 1,7% no período –- abaixo do esperado –- possivelmente impactadas por surtos de covid-19 e restrições impostas à circulação.

O investimento em ativos fixos (FAI, na sigla em inglês) desacelerou para 4,9% em 2021 frente ao ano anterior. Houve arrefecimento nos investimentos imobiliários, em razão das dificuldades enfrentadas pelo setor. Os investimentos em infraestrutura foram modestos, enquanto investimentos em manufaturas permaneceram sólidos.

A taxa de desemprego urbano, reportada pelo Escritório Nacional de Estatística, subiu na margem para 5,1% em dezembro. Considerando apenas a faixa etária de 14-24 anos, a taxa de desemprego permaneceu em 14,3%.

Os casos de covid-19 diminuíram ao longo da semana e estão concentrados em algumas províncias. Os surtos de ômicron nas províncias de Henan e Tianjin parecem ter sido contidos. A China mantém a política de tolerância zero em relação ao vírus, o que restringe a circulação de pessoas. Por enquanto, indicadores de alta frequência não sinalizam queda significativa da atividade.

Brasil

Pesquisa Focus: expectativas de inflação mais altas

A projeção para o IPCA apresentou leve alta para 2022 (de 5,03% para 5,09%) e 2023 (de 3,36% para 3,4%). Já os números esperados para o PIB permaneceram estáveis para 2022 (de 0,28% para 0,29%) e registraram alta para 2023 (de 1,7% para 1,8%). A taxa Selic segue em 11,75% para o final deste ano e em 8% para o final do ano que vem.

Atividade: novos casos de covid-19 acendem sinal de alerta

O número de novos casos de covid-19 voltou a subir. O Brasil registrou recorde de novos casos confirmados na quarta-feira (19), com mais de 205 mil contágios, de acordo com o consórcio de veículos de imprensa. Na média móvel de sete dias até ontem (20/1), o número atingiu o patamar de 110 mil infecções. As internações também registraram alta. Estados como Mato Grosso, Goiás e Pernambuco ultrapassaram a marca de 80% de ocupação de UTIs. Em São Paulo, a ocupação passou de 41% para 57% em uma semana. Apesar dos dados negativos, não enxergamos, por ora, impactos na atividade. Entretanto, este risco pode se materializar à frente.

O indicador mensal de atividade do Banco Central, IBC-Br, subiu 0,69% em novembro em relação a outubro após 4 meses consecutivos de quedas. O carrego estatístico, no entanto, é compatível com uma retração de 0,3% no 4T21 e com um crescimento de 4,4% em 2021.

Inflação: IGP-10 sinaliza aceleração de bens industriais

O IGP-10 avançou 1,79% em janeiro – acima do esperado de 1,61%. A composição dos índices de atacado apresentou alta de 1,49% do IPA agrícola frente a uma queda de 0,11% no mês anterior, enquanto o núcleo do IPA industrial – que inclui apenas os itens relacionados à inflação de bens industriais do IPCA, excluindo alimentos, combustíveis e minério de ferro – registrou elevação de 0,69%.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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