Economia

Resumo semanal: Brasil – atividade forte, por enquanto

Confira as principais notícias da semana, segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank


Confira as principais notícias da semana (11/7-15/7), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Internacional

Estados Unidos: inflação sem sinais de alívio

A inflação acelerou na margem, mais que o esperado, e segue alta. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 1,3% em junho frente ao mês anterior, de acordo com o Departamento do Trabalho americano. Em 12 meses, o índice acumula alta de 9,1%, um recorde em mais de 40 anos. O aumento de preços foi generalizado entre as várias categorias. Houve aumento de 7,5% em relação ao mês anterior para energia e de 1% para alimentos. O núcleo do CPI (exclui alimentos e energia) subiu 0,7% e acumula alta de 5,9% em 12 meses. Em nossa visão, a inflação deve demorar a ceder em razão do forte aquecimento da economia americana e do excesso de estímulos implementados durante e após a pandemia. O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) acelerou para 1,1% em junho frente ao mês anterior, com forte alta no preço de energia. Nos últimos 12 meses, o índice acumula alta de 11,3%, sinalizando que algum repasse à inflação ao consumidor ainda está por vir.

A atividade apresentou sinais mistos. As vendas no varejo cresceram 1% em junho em relação ao mês anterior, segundo o Departamento de Comércio. O aumento foi levemente acima do esperado e mantém as vendas acima da tendência pré-pandemia. Por outro lado, a produção industrial contraiu 0,2% no período, segundo o banco central americano (Federal Reserve – Fed). Houve revisão para baixo do mês anterior, reforçando sinais de uma produção mais fraca.

O índice de otimismo das pequenas empresas, medido pela Federação Nacional de Empresas Independentes (NFIB, na sigla em inglês), diminuiu 3,6 pontos para 89,5 em junho, permanecendo abaixo do nível pré-pandemia. As pequenas empresas continuam sinalizando pressões de preços e salários e dificuldades na contratação de trabalhadores.

O índice de atividade industrial regional do Fed de Nova York sinalizou forte expansão em julho, com forte aumento de produção e melhora no tempo de entrega de mercadorias. O emprego permaneceu firme. A demanda diminuiu e os preços cederam. 

Os pedidos iniciais de seguro-desemprego, também divulgados pelo Departamento do Trabalho, seguem em níveis baixos, em 244 mil na semana encerrada em 9 de julho, 9 mil acima da semana anterior. Apesar de baixo para padrão da série, o indicador tem apresentado uma tendência de alta recentemente, em linha com o cenário de desaceleração da economia americana.

A prévia da confiança do consumidor subiu 1,1 ponto em julho frente ao mês anterior, segundo a Universidade de Michigan, permanecendo próximo da mínima alcançada em junho. A expectativa de inflação nos próximos 5 a 10 anos diminuiu de 3,1% para 2,8% ao ano, menor nível desde julho do ano passado. Dados reportados até o momento reforçam nossa expectativa de que o banco central americano deve subir juros em 75 pontos-base na reunião do fim deste mês.

Europa: euro negociado a paridade contra o dólar

A Comissão Europeia diminuiu sua projeção para o crescimento da zona do euro em 2022 e 2023, passando de 2,7% para 2,6% em 2022 e de 2,3% para 1,4% em 2023. O impacto da guerra no continente e a inflação elevada, principalmente em razão do alto preço de energia, deve ser maior no próximo ano. A expectativa de inflação também foi revisada. A Comissão prevê um pico maior este ano, de 7,6%, diminuindo para 4% no próximo. O relatório destacou que não espera uma recessão na zona do euro.

O conflito entre Rússia e Ucrânia se estende pelo quinto mês. A Rússia avançou no leste do país e segue para tomar a região de Donbas. A Ucrânia mostra resistência e segue recebendo ajuda militar, financeira e humanitária do Ocidente. Negociações diretas de paz entre Rússia e Ucrânia estão praticamente paradas. O conflito se estende por mais tempo do que era previsto. Uma negociação para exportação de grãos por portos da Ucrânia, bloqueada pela Rússia desde o início da guerra, teve progresso, segundo o secretário geral das Nações Unidas em reunião com representantes de ambos os países. Mais detalhes serão discutidos na próxima semana.  

Os preços das commodities continuam com alta volatilidade. Entre os dias 8 e 14 de julho o petróleo continuou diminuindo (-7%), em meio a preocupações de uma desaceleração na economia global. O gás natural permaneceu estável depois de um forte aumento na semana anterior.  O gasoduto que transporta gás da Rússia para Alemanha, Nord Stream 1, foi fechado esta semana para manutenção e os europeus estão preocupados com um possível fechamento permanente do canal como represália russa às sanções que o país vem sofrendo. A menor oferta de gás é um fator de risco para a economia na zona do euro. A União Europeia está preparando um conjunto de medidas para diminuir o consumo de gás por parte de famílias e empresas.

A produção industrial (excluindo construção) subiu 0,8% em maio frente ao mês anterior, acelerando em relação a abril. O aumento no índice ocorreu em razão de uma maior contribuição da Irlanda, que costuma ser volátil. Dentre as principais economias do bloco houve uma desaceleração na produção industrial da Alemanha (0,1%) e queda na Itália (-1,1%). A produção de automóveis continua sofrendo com falhas na cadeia e está 20% abaixo do nível pré-pandemia. Apesar de impactar a atividade, a produção industrial como um todo está acima do nível pré-pandemia

A percepção de um risco maior para o crescimento da Europa, em razão de uma escassez de gás, e uma política monetária mais restritiva por parte do banco central americano têm enfraquecido o euro em relação ao dólar. A moeda do bloco desvalorizou em um curto espaço de tempo, de 1 de junho a 14 de julho, pouco mais de 6%, chegando a ser negociada em paridade com o dólar.

A economia do Reino Unido expandiu 0,5% em maio frente ao mês anterior, com ajuste sazonal, depois de encolhimento de 0,2% em abril, de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas (ONS, na sigla em inglês). Houve crescimento na produção industrial (0,9%) e nos serviços (0,4%).

China: PIB do 2T desaponta, mas atividade melhora em junho

O PIB teve crescimento fraco de 0,4% no 2T22 comparado ao mesmo período do ano anterior, segundo o Departamento Nacional de Estatísticas da China (NBS, na sigla em inglês). O índice desapontou expectativas, indicando um impacto maior do surto de Covid-19 sobre a atividade.

O número diário de novos casos de Covid-19 diminuiu em relação à semana anterior, mas está acima de 400, uma piora depois de ficar próximo a 100 no fim de junho. O surto desta vez está ocorrendo em algumas províncias mais ao sul. Em Xangai, o número de casos não teve aumento significativo e está em torno de 50 depois de uma nova rodada de testagem em vários distritos. Autoridades do governo estão adaptando a estratégia de Covid zero para torná-la menos rígida e minimizar impactos sociais e econômicos. O tempo de quarentena de áreas de risco deve ser diminuído.

A atividade mostrou melhor recuperação em junho, depois de uma maior mobilidade pós-surto de Covid-19. A produção industrial subiu 3,9% frente ao mesmo mês do ano anterior, impulsionada por exportações e melhora na produção de veículos e máquinas. As vendas no varejo cresceram 3,1% no mesmo período depois de contração nos três meses anteriores. A taxa de desemprego urbano diminuiu para 5,5%, mas permanece elevada entre jovens (19,3% na faixa de 16 a 24 anos).

A balança comercial registrou superávit recorde de US$ 97,9 bilhões em junho, US$ 19,2 bilhões a mais que no mês anterior. Exportações aceleraram 17,9% comparadas ao mesmo mês do ano anterior e aumentaram para vários destinos como Estados Unidos, Europa, Japão e Ásia emergente. As importações subiram 1% no mesmo período. O crescimento do fluxo comercial sugere melhora nos gargalos logísticos da cadeia produtiva.

O investimento em ativos fixos (FAI, na sigla em inglês) desacelerou para 6,1% nos seis primeiros meses do ano frente ao mesmo período do ano anterior. Os investimentos em manufaturas seguem sólidos e investimentos em infraestrutura aumentaram. No entanto, investimentos imobiliários continuam diminuindo em razão de dificuldades enfrentadas pelo setor. As vendas de imóveis residenciais contraíram 31,8% no período. O preço médio de casas novas em 70 cidades chinesas cedeu 0,1% em junho frente ao mês anterior, décima queda consecutiva do índice, apesar de menores taxas de hipotecas anunciadas em maio, sinalizando menor confiança de potenciais proprietários com empresas do setor.

O fluxo de crédito agregado teve aumento significativo passando de RMB 2,79 trilhões em maio para RMB 5,17 trilhões em junho, segundo o banco central da China (PBOC, na sigla em inglês), ficando quase RMB 1 trilhão acima do esperado. Houve aumento na emissão de títulos públicos e de empréstimos bancários, principalmente de médio e longo prazo, às empresas, sinalizando disposição para novos investimentos, e às famílias, indicando investimentos imobiliários.

A inflação ao consumidor subiu 2,5% em junho frente ao mesmo mês do ano anterior em razão de aumento no preço de energia e alimento. O núcleo permaneceu praticamente estável (0,2%).

O banco central da China (PBOC, na sigla em inglês) manteve inalterada a taxa de juros de médio prazo em 2,85%, conforme esperado. Em vez de cortar taxas de juros – o que seria um movimento contrário ao de grandes economias desenvolvidas, que já iniciaram aumento de juros, e poderia provocar fuga de capital, depreciação cambial e inflação no país – o PBOC tem mostrado preferência por políticas de crédito direcionadas a alguns setores ou agentes.

Brasil

Focus: expectativas de inflação deterioram para o ano que vem

A projeção para o IPCA apresentou queda para 2022 (de 7,96% para 7,67%), enquanto para 2023 e 2024 houve novas altas (de 5,01% para 5,09% e de 3,25% para 3,3%, respectivamente). O número esperado para o PIB registrou alta para 2022 (de 1,51% para 1,59%), e ficou estável para 2023 em 0,50%. A taxa Selic ficou estável tanto para o final deste ano em 13,75%, quanto para o final do ano que vem em 10,50%. As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Atividade: serviços registram expansão em maio, mas devem desacelerar no 2º semestre

A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de maio mostrou alta de 0,9% no volume de serviços na comparação mensal. O dado veio acima das expectativas do mercado e praticamente em linha com a nossa projeção. A composição mostrou alta disseminada nas diversas atividades. O segmento de serviços prestados às famílias – o mais afetado pelas restrições de mobilidade – registrou alta de 1,9% no mês, mas segue 7% abaixo do nível pré-pandemia. Nos últimos meses, o destaque positivo tem sido a recuperação do setor de turismo – agregação especial feita pelo IBGE – que subiu 2,6% no mês e 10,3% desde dezembro.

A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) de maio mostrou alta de 0,2% frente ao mês anterior no volume de vendas no comércio varejista ampliado, resultado abaixo do que nós e o mercado projetávamos. A composição do índice mostrou queda em móveis e eletrodomésticos e nos segmentos específicos do varejo ampliado (veículos e material de construção). Apesar de mais fraco, comércio seguiu registrando leve expansão. Juntamente com o dado de serviços, os indicadores reforçam nossa visão de que a atividade no 2T22 apresentará boa expansão, projetamos alta de 1,4% para o trimestre. No entanto, o PIB deve desacelerar e registrar crescimento baixo ou negativo na segunda metade do ano. A alta de juros e a desaceleração global comprometem uma expansão maior da atividade. Revisamos recentemente nossa projeção para o PIB de 2022 de 1,5% para 2%.

Fiscal: aprovado projeto que aumenta gastos em R$ 41 bi fora do teto

A Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira (13), em 2º turno, a PEC 15/2022, que prevê novos benefícios sociais e econômicos. Estão incluídas no texto as seguintes medidas: (i) aumento do Auxílio Brasil de R$400 para R$600 e zeragem da fila; (ii) aumento do vale-gás; (iii) voucher caminhoneiro; (iv) gratuidade para idosos no transporte público; (v) subsídio ao etanol; (vi) auxílio aos taxistas e (vii) verba para o programa Alimenta Brasil. O impacto total estimado é de R$ 41,5 bilhões e as despesas ficarão fora do teto de gastos. No texto foi mantido o reconhecimento de estado de emergência no ano de 2022 e as medidas aprovadas valem para até o fim do ano.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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