Economia

Resumo semanal: Crescimento global perde força

Confira as principais notícias da semana, segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank


Confira as principais notícias da semana (18/4-22/4), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Internacional

Estados Unidos: ritmo menos intenso de atividade

A economia americana continuou em expansão em abril, mas mais moderada do que em março. As prévias dos índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) indicaram atividade ainda firme, após o relaxamento das restrições associadas à Covid-19. O PMI de manufaturas subiu 0,9 ponto para 59,7, com a demanda permanecendo elevada. O PMI de serviços diminuiu 3,3 pontos para 54,7, com forte aumento no preço de vendas pressionando a demanda. Ambos os índices mostraram emprego sólido, custos e preços elevados e sinais de gargalos na cadeia produtiva.

O indicador regional de atividade industrial do Federal Reserve (Fed) da Filadélfia sinalizou desaceleração em abril. O índice diminuiu 9,8 pontos para 17,6. Na composição, houve queda nos indicadores de demanda e produção, e preços subiram. O tempo de entrega de mercadorias diminuiu.

O mercado imobiliário moderou em março, apesar dos indicadores permanecerem elevados e acima da média pré-pandemia. Os índices de construção de novas moradias e o de permissão para construir tiveram leves aumentos, de 0,3% e 0,4% respectivamente. A venda de casas usadas encolheu 2,7%, foi a segunda queda consecutiva, indicando uma perda de impulso. O estoque de casas disponíveis para venda continua baixo e pressionando os preços. O otimismo das construtoras (NAHB Housing Market Index) diminuiu mais 2 pontos, recuando para 77 em abril. Esta foi a quarta queda consecutiva do índice, que permanece elevado, mas sinaliza uma possível moderação de construções nos próximos períodos.

O mercado de trabalho continua forte. Os pedidos iniciais de seguro-desemprego, divulgados pelo Departamento do Trabalho, seguem em níveis muito baixos, em 184 mil na semana encerrada em 16 de abril, 1 mil abaixo da semana anterior.

Os números de novos casos de Covid-19 e de hospitalizações continuam baixos no país.

Europa: conflito se intensifica no leste e sul da Ucrânia

O conflito entre Rússia e Ucrânia entra no terceiro mês. As tropas russas se reposicionaram no leste da Ucrânia, na região de Donbass, e no sul do país, com objetivo de tomar o controle e formar um corredor até a Crimeia. Bombardeios se intensificaram na região. O ministro das relações exteriores da Ucrânia disse que nenhum território será cedido em negociações. O conflito deve se estender por mais tempo do que era previsto.

Os preços das commodities seguem com alta volatilidade. Entre os dias 14 e 21 de abril, o petróleo teve queda de 3%, refletindo o menor consumo associado às restrições de Covid-19 na China. O gás natural teve aumento de 4,5% no mesmo período. Por enquanto, nenhuma sanção da União Europeia quanto a petróleo ou gás foi anunciada, mas um novo pacote de sanções deve ser apresentado. Empresários e sindicatos alemães se posicionaram quanto a uma possível sanção imediata sobre as importações de gás natural russo, alertando que levaria ao fechamento de fábricas e à perda de empregos na maior economia do bloco.

As prévias dos índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) de abril continuam sinalizando, por ora, crescimento da atividade. O PMI de manufaturas diminuiu 1,2 ponto, para 55,3, em razão da maior dependência do setor quanto à energia. O PMI de serviços teve aumento de 2,1 pontos, para 57,7, mantendo o bom desempenho do setor após a diminuição das restrições associadas à Covid-19. Na composição dos índices, os preços de bens e serviços tiveram o maior aumento já registrado e aceleraram em relação ao máximo alcançado em março.

A produção industrial subiu 0,7% em fevereiro frente ao mês anterior, depois de queda em janeiro de mesma magnitude (0,7%). O índice está 1% acima do nível pré-pandemia. Entre as maiores economias, a Alemanha, a Itália e a Espanha contribuíram para o crescimento do índice, enquanto a França pesou negativamente. Houve queda na produção de veículos (-2,3%) pelo segundo mês consecutivo, interrompendo uma recuperação iniciada no 4T21, enquanto os outros setores tiveram crescimentos sólidos.

A confiança do consumidor continuou fraca, mas melhorou um pouco em relação ao mês anterior. O índice da Comissão Europeia subiu 1,8 ponto em abril, alcançando -16,9. Nenhum detalhe referente à publicação foi divulgado, mas a inflação elevada deve ter tido impacto significativo no índice.

No Reino Unido, a atividade continua em expansão. As prévias dos PMIs de abril indicaram crescimento em manufaturas (55,3 pontos) e expansão em serviços (58 pontos) apesar de menor que no mês anterior. Na composição dos índices, há sinais de mercado de trabalho aquecido e preços elevados. No entanto, há sinais de redução no consumo para frente em razão do aumento do custo de vida. A confiança do consumidor recuou 7 pontos em abril para -38 e está no menor nível desde 2008. As vendas no varejo contraíram pelo segundo mês consecutivo em março. O índice diminuiu 1,4% frente ao mês anterior, permanecendo acima do nível pré-pandemia, mas sinalizando uma perda de impulso.

China: Covid-19 segue pesando sobre atividade

O número de novos casos de Covid-19 continua elevado, mas o número de áreas de risco alto ou médio segue diminuindo. A maior parte dos casos está concentrada em Xangai, cidade de 25 milhões de habitantes que continua em lockdown. Alguma flexibilidade vem sendo aplicada desde a semana passada permitindo que pessoas saiam de casas em áreas onde casos não foram detectados nas últimas semanas. Autoridades confirmam a necessidade de manter a política de Covid zero, o que não significa reduzir casos para zero em toda a população, mas sim não ter casos fora de áreas em quarentena.

O PIB expandiu 4,8% no 1T22 comparado ao mesmo período do ano anterior, segundo o Departamento Nacional de Estatísticas da China (NBS, na sigla em inglês). O índice surpreendeu positivamente, mostrando que a atividade se manteve sólida no início do ano.

No entanto, existem sinais de desaceleração em março em razão do início de medidas restritivas relacionadas à Covid-19, que impactaram consumo e cadeias produtivas. As vendas no varejo contraíram 3,5% em março frente ao mesmo mês do ano anterior ¬– a queda foi maior que a esperada – possivelmente impactadas por surtos de Covid-19. A taxa de desemprego urbano subiu na margem para 5,8%, provavelmente em razão de incertezas internas e externas.

A produção industrial cresceu 5% em março frente ao mesmo mês do ano anterior. O aumento na produção ocorreu em setores relacionados à tecnologia, enquanto o setor automotivo contraiu 4,9%, possivelmente por dificuldades na cadeia produtiva, e setores intensivos em energia, como aço (-6,4%) e cimento (-5,6%), permaneceram fracos.

O investimento em ativos fixos (FAI, na sigla em inglês) aumentou 9,3% nos três primeiros meses do ano frente ao mesmo período do ano anterior. Houve forte aumento nos investimentos em manufaturas, apoiados por políticas públicas e exportações sólidas, e nos investimentos em infraestrutura, com antecipação de projetos do governo. Investimentos imobiliários seguem fracos, em razão das dificuldades financeiras enfrentadas pelo setor. As vendas de imóveis residenciais contraíram 25,6% nos três primeiros meses do ano. O preço médio de casas novas em 70 cidades chinesas diminuiu 0,1% em março. Esta foi a sétima queda consecutiva do índice de preços e sinaliza menor confiança de potenciais proprietários com empresas do setor.

O banco central da China (PBOC, na sigla em inglês) manteve inalteradas as taxas de juros de curto e longo prazo (LPRs, na sigla em inglês) em 3,7% e 4,6%, respectivamente, surpreendendo expectativas de uma redução nas taxas depois de sinalização do primeiro-ministro Li Keqiang, na semana passada. O banco central diminuiu o compulsório bancário em 25 pontos-base, menos do que o esperado.

Brasil

Inflação: projeções podem voltar a subir

O IGP-10 avançou 2,48% em abril, acima do esperado, e acumula alta de 15,65% em 12 meses. A composição dos índices de atacado mostrou o IPA agrícola desacelerando – alta de 0,90% frente a 3,62% no mês anterior. Por outro lado, o núcleo do IPA industrial – que inclui apenas os itens relacionados à inflação de bens industriais do IPCA, excluindo alimentos, combustíveis e minério de ferro – voltou a acelerar, registrou elevação de 1,54% ante 0,54% em março e segue pressionado. Índices de preços no atacado seguem em patamar elevado no acumulado em 12 meses: 20% para agrícolas e 21,1% para o núcleo industrial. A divulgação do IGP-10, anúncios de reajustes de energia elétrica acima do esperado e alta nos preços de petróleo nos levaram a colocar um viés de alta na nossa projeção de 7,2% para o IPCA de 2022.

Nota: O Banco Central não divulgou essa semana a pesquisa do Boletim Focus devido à greve dos servidores. Funcionários decidiram essa semana interromper a greve e iniciar operação padrão até 2/maio – abrindo espaço para negociações.  

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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