Economia

Resumo semanal: FED sobe juros em meio a atividade mais fraca

Confira as principais notícias da semana, segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank


Confira as principais notícias da semana (25/7-29/7), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Internacional

Estados Unidos: Fed reforça foco na meta de inflação

O banco central americano (Federal Reserve – Fed) elevou o intervalo de juros para 2,25% e 2,5% ao ano, subindo a taxa básica em 75 pontos-base, pela segunda vez consecutiva. O aumento era esperado depois de comentários de alguns membros do Comitê apoiando esta alta em razão da inflação elevada. Este foi o quarto aumento consecutivo da taxa e o maior aumento acumulado em dois meses desde o início da década de 80. No comunicado, o Comitê indicou que mais aumentos serão apropriados nas próximas reuniões. Quanto ao balanço patrimonial, o comunicado citou que a redução continua conforme anunciado na reunião de maio. O presidente do Fed, Jerome Powell, reforçou o foco em trazer a inflação para a meta e indicou que as magnitudes de aumentos futuros dependerão dos dados. Powell também disse que não acredita que a economia esteja em recessão, em razão de um mercado de trabalho aquecido.

A economia americana encolheu 0,9% no 2T22 em relação ao trimestre anterior, anualizado e com ajuste sazonal, de acordo com a primeira estimativa do Departamento do Comércio americano. A contração no PIB foi inesperada, causada principalmente por uma queda nos estoques e nos investimentos na construção de residências. O consumo aumentou 1%, abaixo do esperado, desacelerando pelo segundo trimestre consecutivo. 

Os indicadores regionais de atividade industrial do Federal Reserve (Fed) vieram com sinais mistos em julho. A maioria teve grande variação em relação ao mês anterior. Os índices do Fed da Filadelfia e o de Dallas contraíram com queda maior na demanda, enquanto o de Nova York e o de Richmond subiram com melhora na produção. Todos os índices sinalizaram uma redução na pressão de preços.

Os pedidos de bens duráveis e de bens de capital cresceram em junho, segundo o Departamento do Comércio. Os núcleos de ambos os índices vieram mais fortes que o esperado. A demanda por bens de capital sinaliza que investimentos seguem firmes. Ambos os indicadores continuaram acima do nível pré-pandemia.

O setor imobiliário tem mostrado sinais de retração. As vendas de moradias novas tiveram queda de 8,1% em junho em relação ao mês anterior, segundo o Departamento do Comércio. Este foi o quinto mês de contração de vendas no ano, possivelmente decorrente de preços de casas e taxas de hipoteca elevados. As vendas pendentes também contraíram 8,6%, segundo a Associação Nacional de Corretores de Imóveis (NAR, na sigla em inglês), sinalizando que a venda de casas usadas deve continuar diminuindo nos próximos meses. Os preços de casas desaceleraram, com aumento de 1,4% em maio frente ao mês anterior, segundo a Agência Federal de Financiamento da Habitação (FHFA, na sigla em inglês). Preços seguem em alta, impulsionados por estoques baixos, porém com sinais de moderação.

A inflação americana segue pressionada. O índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) subiu 1% em junho, acelerando em relação ao mês anterior, segundo dados do Departamento do Comércio americano. O índice acumula alta de 6,8% nos últimos doze meses, com destaque para o preço de energia (43,5%) e alimentos (11,2%). O núcleo do indicador, que exclui energia e alimentos, subiu robusto 0,6% no mês e 4,8% em doze meses.

A inflação tem pesado sobre a confiança do consumidor. O índice do Conference Board diminuiu 2,7 pontos em julho para 95,7. As perspectivas para a inflação de 1 ano diminuíram de 7,9% para 7,6%, seguindo elevadas. A percepção quanto ao mercado de trabalho continua positiva, próxima aos máximos históricos.

A renda das famílias aumentou 0,6% em junho, em razão de aumentos de salários, enquanto os gastos com consumo aceleraram para 1,1%. Houve aumento de gastos com bens e serviços, segundo dados do Departamento do Comércio.

Europa: PIB surpreende, mas inflação acelera

O PIB da área do euro no 2T22 cresceu 0,7% frente ao trimestre anterior, segundo a prévia divulgada pela Eurostat. O crescimento foi maior que o esperado e ocorreu em razão de uma expansão da França (0,5%), Itália (1%) e Espanha (1,1%), beneficiadas pelo turismo durante o verão. A Alemanha, economia mais exposta ao fornecimento de gás russo, ficou estagnada.

A inflação alcançou novo recorde. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 8,9% nos últimos doze meses até julho, segundo a Eurostat. O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, aumentou 4% no mesmo período e também alcançou recorde da série. A inflação acelerou na Alemanha (8,5%) e atingiu a máxima histórica na França (6,8%) e Espanha (10,8%).

O conflito entre Rússia e Ucrânia se estende pelo sexto mês.  A Rússia avançou no leste do país e segue para tomar a região de Donbas. A Ucrânia mostra resistência e segue recebendo ajuda militar, financeira e humanitária do Ocidente. Negociações diretas de paz entre Rússia e Ucrânia estão praticamente paradas. O conflito se estende por mais tempo do que era previsto.

Os preços das commodities continuam com alta volatilidade. Entre os dias 22 e 28 de julho, o petróleo subiu levemente depois de algumas semanas em queda, que refletiram preocupações de uma desaceleração na economia global. O gás natural subiu forte em meio a nova redução no fornecimento russo depois de concluída a parada de manutenção. Países da União Europeia entraram em um acordo para reduzir o consumo de gás em 15% nos próximos 8 meses. A intenção é se preparar para um possível corte total no fornecimento russo.

A confiança na economia (índice de sentimento econômico, calculado pela Comissão Europeia) diminuiu 4,5 pontos em julho para 99. O índice reflete uma piora na confiança do consumidor, que chegou no menor nível da série histórica em meio a uma inflação elevada e preocupações com fornecimento de energia. A confiança da indústria e do setor de serviços também diminuiu, mas continua acima da média de 2019.

China: Politburo não prevê mais estímulos à economia

Líderes do governo chinês, em reunião do Politburo, discutiram direções da economia para o segundo semestre. Em comunicado divulgado após o evento, alguns pontos chamaram a atenção: 1) a meta de crescimento para o ano não foi citada, apenas que o crescimento deve ser razoável e os esforços devem ser no sentido de estabilizar o mercado de trabalho e preços; 2) a política de covid zero continua, porém deve-se buscar maior equilíbrio com a economia; 3) um apoio ao mercado imobiliário deve ser dado a nível local; 4) nenhum sinal claro de mais estímulos à economia foi mencionado.

O número diário de casos de Covid-19 diminuiu ao longo da semana, chegando próximo de 600 depois de alcançar pouco mais de 1.000 na semana anterior. O surto desta vez está ocorrendo em províncias mais ao sul e noroeste do país. Em Xangai, o número de casos diários está abaixo de 20. Testagens continuam semanalmente na cidade até o fim de agosto. 

O lucro da indústria cresceu modesto 0,8% em junho frente ao mesmo mês do ano anterior, de acordo com o Escritório Nacional de Estatística (NBS, na sigla em inglês). O resultado melhor ocorreu em razão da maior normalização da atividade com o alívio de restrições severas relacionadas ao surto da variante ômicron em abril. Setores de mineração e produção de matérias-primas continuam apresentando resultados fortes em razão da tendência de preços elevados, enquanto outras indústrias (manufaturas, por exemplo) continuam sentindo uma pressão de custos.

Brasil

Focus: expectativas de inflação para 2023 seguem deteriorando

A projeção para o IPCA apresentou queda para 2022 (de 7,54% para 7,30%), alta para 2023 (de 5,20% para 5,30%) e ficou estável para 2024 (em 3,3%). O número esperado para o PIB registrou alta para 2022 (de 1,75% para 1,93%) e ficou praticamente estável para 2023 (passou de 0,50% para 0,49%). A taxa Selic ficou estável para o final deste ano (em 13,75%) e para 2023 (em 10,75%). As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Atividade: taxa de desemprego recuou em junho, mas parou de surpreender

A taxa de desemprego da PNAD Contínua no trimestre terminado em junho veio em linha com o esperado pelo mercado e atingiu 9,3%, após 12 meses surpreendendo para baixo. Na série com nosso ajuste sazonal, a taxa de desemprego passou de 9,5% para 9,1% no trimestre terminado em junho. Para a série mensal, estimamos que a taxa tenha atingido o patamar de 9%, considerando o dado com ajuste sazonal (ante 8,9% de maio). A taxa apresentou um recuo acentuado desde o pico em dezembro de 2020 (15%), refletindo principalmente a recuperação do PIB de serviços. A pesquisa mostra continuação da retomada da ocupação e leve alta na taxa de participação no mês. O crescimento da economia até agora foi suficiente para levar a taxa de desemprego para níveis mais próximos do neutro. O indicador reforça o cenário de que a inflação deve cair a passos lentos. A taxa deve continuar caindo até o final do ano, mas deve voltar a subir no ano que vem em função da desaceleração da atividade econômica. O rendimento médio real habitual registrou nova alta no mês, mas segue em patamar muito deprimido. A massa salarial real habitual mostra expansão nos últimos meses, impulsionada principalmente pela recuperação do emprego.

Inflação: redução de impostos traz alívio temporário

O IPCA-15 de julho registrou expansão de 0,13%, em linha com o mercado (0,16%) e abaixo do que nós projetávamos (0,25%). O índice acumula alta de 11,39% na variação em 12 meses e mostra desaceleração em função das medidas de redução de impostos sobre combustíveis e energia elétrica (LC 194/2022). Juntos, esses dois itens contribuíram em -60 pontos-base na inflação deste mês. Olhando para a composição do dado houve surpresa para baixo em bens industriais e monitorados, enquanto a média dos núcleos do Banco Central e serviços vieram altos. A composição do índice mostra inflação de bens industriais desacelerando em relação aos últimos meses, mas ainda em patamar elevado. Já em serviços essa tendência ainda não é clara, devendo continuar alta nos próximos meses, sob efeito da inércia inflacionária. Em 12 meses, a inflação de serviços acumula alta de 8,9% e a de bens industriais de 13,5%. A inflação de bens industriais deve seguir desacelerando, mas pressionada devido aos recentes choques nas cadeias globais de produção (Guerra na Ucrânia e lockdowns na China). A inflação de serviços e bens industriais deve desacelerar a passos lentos.

Nos meses de julho e agosto, as divulgações do IPCA geral devem continuar sofrendo o impacto da LC 194/2022, que limita o ICMS de energia elétrica, combustíveis e telecomunicações e afetam em cheio a inflação de bens administrados. O timinge a magnitude do repasse aos preços são variáveis que aumentam a incerteza dessas divulgações. Projeção de IPCA segue em 6,5% para 2022.

Fiscal: arrecadação segue surpreendendo

O resultado primário do setor público consolidado de maio foi de déficit de R$ 33 bi, praticamente em linha com as expectativas de mercado. Nesta semana houve também a divulgação do resultado do governo central referente ao mês de junho, que registrou superávit de R$ 14 bi. Para o ano, o tesouro revisou para cima a previsão de arrecadação total devido a entrada de recursos da desestatização da Eletrobrás (de quase R$ 27 bi) e aumento de dividendos em cerca de R$ 18 bi. O resultado fiscal segue forte com arrecadação surpreendendo. Devemos revisar para cima a projeção de resultado primário para 2022. 

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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