Economia

Resumo semanal: Payroll surpreende e coloca mais pressão sobre o FED

Confira as principais notícias da semana, segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank


C6 Bank Felipe Salles Foto: Germano Lüders04/08/2021

Confira as principais notícias da semana (1/8-5/8), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Internacional

Estados Unidos: mercado de trabalho segue forte

O mercado de trabalho permanece aquecido. O Departamento de Trabalho publicou dados referentes ao mês de julho. De acordo com o Establishment Survey, houve criação de 528 mil empregos no período, mais que o dobro do esperado, levando o número de empregados de volta para o patamar pré-pandemia. Segundo o Household Survey, a taxa de desemprego diminuiu para 3,5%, a mesma pré-pandemia – reduzindo o número de desempregados para 5,7 milhões – e houve leve redução na taxa de participação, de 62,2% para 62,1%. O ganho médio por hora trabalhada aumentou em 0,5% em relação ao mês anterior. Nos últimos doze meses, o índice acumula alta de 5,2%, sugerindo pressão de salários e dificuldade das empresas em contratar.

Outro relatório do Departamento de Trabalho, Jolts, indicou que o número de vagas de emprego em aberto está diminuindo gradualmente – 10,7 milhões em junho – mas segue elevado, próximo do pico alcançado em março. Pedidos de demissão seguem altos, sinal da confiança de trabalhadores em conseguir emprego. Contratações continuam acima da média pré-pandemia. Em relatório semanal do Departamento de Trabalho, os pedidos iniciais de seguro-desemprego seguem em níveis baixos, em 260 mil na semana encerrada em 30 de julho, 6 mil acima da semana anterior.

A atividade na indústria continuou desacelerando em julho. O índice de gerentes de compras do setor de manufaturas (PMI, na sigla em inglês) do Instituto ISM, sinalizou pelo segundo mês consecutivo uma expansão mais moderada. O índice diminuiu 0,2 ponto para 52,8, menor nível em quase dois anos. Houve queda na demanda e produção. Os preços pagos por insumos diminuíram significativamente e os gargalos na cadeia produtiva melhoraram, o que pode estar ocorrendo em razão de uma demanda mais fraca. No setor de serviços houve uma melhora do indicador ISM, que depois de 3 quedas consecutivas subiu 1,4 ponto para 56,7, sinalizando expansão.

Europa: Inglaterra acelera alta de juros, conforme esperado

O conflito entre Rússia e Ucrânia se estende pelo sexto mês, sem avanços em um acordo de paz. A Rússia continua com ações ofensivas principalmente no leste do país e segue para tomar a região de Donbas. A Ucrânia mostra resistência e segue recebendo ajuda militar, financeira e humanitária do Ocidente. O conflito se estende por mais tempo do que era previsto.

Os preços das commodities continuam com alta volatilidade. Entre os dias 29 de julho e 4 de agosto, o petróleo voltou a cair, refletindo uma menor demanda dos Estados Unidos e preocupações com uma recessão global. O gás natural continuou elevado em meio ao menor fornecimento russo, que permanece baixo mesmo depois de concluída a manutenção do gasoduto entre Rússia e Alemanha. Os grãos cederam com melhor colheita nos Estados Unidos e perspectivas de maior carregamento nos portos ucranianos, depois de acordo entre Rússia e Ucrânia há uma semana. Três navios transportando milho estão deixando portos no Mar Negro em direção ao Reino Unido, Irlanda e Turquia.

A inflação ao produtor (PPI, na sigla em inglês) acelerou em junho frente ao mês anterior e segue elevada. Em 12 meses, o índice acumula alta de 35,8%, puxado pelo aumento do preço de energia no período (92,8%).

As vendas no varejo diminuíram 1,2% em junho frente ao mês anterior. O índice veio abaixo do esperado, possivelmente impactado pela alta da inflação que diminui o poder de compra dos consumidores e pesa negativamente sobre as vendas.

O mercado de trabalho segue aquecido. A taxa de desemprego permaneceu em 6,6% em junho, mínima histórica alcançada em abril. Dentro do bloco existe heterogeneidade entre as economias. O desemprego permanece baixo na Alemanha (2,8%) e alto na Espanha (12,6%) e Grécia (12,3%).

O Banco Central da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) elevou a taxa de juros em 50 pontos-base, para 1,75%, conforme esperado. O aumento foi o sexto consecutivo, mas o primeiro de 50 pontos-base desde 1995. O Banco sinalizou que está preparado para mais aumentos se necessário e aumentou sua expectativa de inflação para este ano para um pouco acima de 13%, em razão de um aumento maior no preço de energia, provocado pela guerra na Ucrânia, e um mercado de trabalho aquecido que tem pressionado salários. O Banco prevê recessão a partir do 4T22.

China: perda de fôlego na indústria

A atividade perdeu força em julho, de acordo com os índices de gerentes de compras (PMIs, na sigla em inglês), calculados pelo Escritório Nacional de Estatísticas chinês (NBS, na sigla em inglês). O PMI composto, que considera o setor de manufaturas e de serviços, diminuiu 1,6 ponto para 52,5, sinalizando uma expansão mais fraca que no mês anterior. A desaceleração na atividade ocorreu principalmente em razão de uma contração em manufaturas, com o PMI do setor diminuindo 1,2 ponto, ficando abaixo de 50. Houve queda na produção e na demanda doméstica e externa. O PMI de serviços também diminuiu 1,5 ponto, mas permanece indicando expansão moderada.

O número diário de casos de Covid-19 diminuiu ao longo da semana, ficando por volta de 500 depois de alcançar pouco mais de 1.000 há duas semanas. Os casos estão concentrados em províncias mais ao sul e noroeste do país. Em Xangai, o número de casos diários está abaixo de 10, mas testagens continuam semanalmente na cidade até o fim de agosto. 

Brasil

Focus: expectativa de inflação para 2023 segue deteriorando, ainda que em ritmo mais lento

A projeção para o IPCA apresentou queda para 2022 (de 7,30% para 7,15%), alta para 2023 (de 5,30% para 5,33%) e ficou estável para 2024 (em 3,3%). O número esperado para o PIB registrou leve alta para 2022 (de 1,93% para 1,97%), e queda para 2023 (passou de 0,49% para 0,40%). A taxa Selic ficou estável para o final deste ano (em 13,75%) e subiu para 2023 (de 10,75% para 11%). As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Política monetária: Copom sobe Selic a 13,75% e considera última alta em setembro

O Banco Central do Brasil (BCB) confirmou as expectativas e elevou a taxa Selic em 50 pontos-base, de 13,25% para 13,75%. Com relação à comunicação, o comitê afirmou que “avaliará a necessidade de um ajuste residual, de menor magnitude, em sua próxima reunião”.

As projeções de inflação do BCB no cenário de referência caíram de 8,8% para 6,8% para 2022 e subiram de 4% para 4,6% para 2023. Para 2024, o modelo segue indicando inflação de 2,7%. Este cenário supõe trajetória de juros que permanece em 13,75% até o final de 2022 e reduz-se para 11% ao final de 2023. O comitê introduziu uma inovação na maneira de avaliar o horizonte relevante. Em função dos impactos das alterações tributárias, o comitê optou por dar ênfase à inflação acumulada em doze meses no primeiro trimestre de 2024.  A projeção do BCB para este período situa-se em 3,5%.

Quanto aos próximos passos, o Comitê afirmou que “avaliará a necessidade de um ajuste residual, de menor magnitude, em sua próxima reunião”. O texto enfatizou que “seguirá vigilante e que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas”.

Em resumo, acreditamos, por ora, que a comunicação e as projeções do BCB são condizentes com a manutenção da taxa Selic em 13,75% ou com uma última alta de 25 pontos-base na reunião de setembro. Aguardamos a ata da reunião, que será divulgada na próxima terça-feira (9), para termos mais detalhes sobre os rumos futuros da política monetária.

Atividade: indústria registrou alta de 0,9% no trimestre, mas deve sofrer na 2ª metade do ano

A produção industrial do mês de junho registrou queda de 0,4% frente ao mês anterior e de 0,5% na comparação anual – em linha com o mercado e acima da nossa expectativa. No 2º trimestre, a indústria acumulou alta de 0,9% frente ao trimestre anterior, mas apresentou queda de 0,2% em relação ao mesmo período do ano passado. O indicador corrobora nossa projeção de uma expansão da indústria e do PIB no 2º trimestre na comparação com o 1º trimestre. À frente, nossa expectativa é que a indústria tenha um segundo semestre mais difícil, podendo apresentar contração. A política monetária contracionista, a desaceleração global e a queda dos preços das commodities contribuem para esta tendência. Mantemos nossa projeção de 2% para o PIB de 2022.

Inflação: preços no atacado seguem registrando desaceleração lenta

O IGP-DI registrou deflação de 0,38% em julho, abaixo da expectativa do mercado, e acumula alta de 9,3% em 12 meses – trajetória de desaceleração. A composição dos índices de atacado mostrou o IPA agrícola com alta de 0,17% frente à queda de 0,62% no mês anterior. O núcleo do IPA industrial – que inclui apenas os itens relacionados à inflação de bens industriais do IPCA, excluindo alimentos, combustíveis e minério de ferro – registrou elevação de 0,40% ante 0,24% em junho. No acumulado em 12 meses, ambos indicadores seguem em patamar elevado, em 15,2% para o núcleo dos bens industriais e em 11,1% para o IPA agrícola. À frente, esperamos que os IPAs sigam desacelerando no acumulado em 12 meses, no entanto, essa queda deve ser lenta.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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