Economia

Relatório: Sinais mais animadores para o PIB no Brasil

Equipe econômica do C6 Bank, liderada por Felipe Salles, aponta os fatos mais importantes dos últimos dias


Confira as principais noticias da semana (28/3-1/4), segundo a avaliação da equipe econômica do C6 Bank. Leia a íntegra do relatório.

Internacional

Estados Unidos: mercado de trabalho ainda mais aquecido

O Departamento de Trabalho publicou dados referentes ao mês de março. De acordo com o Establishment Survey, houve criação de 431 mil empregos no período, ficando abaixo das expectativas, mas que foram mais do que compensadas por revisões nos números referentes aos dois meses anteriores, que adicionaram 95 mil vagas. Segundo o Household Survey, a taxa de desemprego diminuiu de 3,8% para 3,6%, apesar de leve aumento na taxa de participação, de 62,3% para 62,4%. O ganho médio por hora trabalhada aumentou em 0,4%, depois de ficar estável no mês anterior. Nos últimos doze meses, o índice acumula alta de 5,6% sugerindo pressão de salários e dificuldade das empresas em contratar.

O número de vagas de emprego em aberto permaneceu próximo ao recorde da série, em 11,3 milhões em fevereiro, de acordo com dados do relatório Job Openings and Labor Turnover Survey (Jolts). A taxa de pedidos de demissão segue elevada. Ambos os indicadores sugerem uma crescente dificuldade das empresas em contratar funcionários.

O indicador de atividade industrial regional do Federal Reserve (Fed) de Dallas sinalizou expansão moderada em março. O índice diminuiu de 14 pontos para 8,7 em razão de uma queda na demanda e na produção. Entretanto, há sinais de que gargalos na cadeia produtiva permanecem, o tempo de entrega de mercadorias está elevado e preços subindo.

Segundo dados do Escritório Federal de Análise Econômica (BEA, na sigla em inglês), a renda das famílias aumentou 0,5% em fevereiro, em linha com esperado, em razão de aumentos de salários. Gastos com consumo subiram 0,2%, com aumento no consumo de serviços.

O índice de confiança do consumidor do Conference Board aumentou 1,5 ponto em março, para 110,5. Apesar de uma deterioração nas perspectivas de inflação de 1 ano de 7,1% para 7,9%, a percepção do consumidor quanto ao mercado de trabalho continua bastante positiva.

O mercado imobiliário continua dando sinais de aquecimento. Os preços de casas (FHFA) subiram 1,6% em janeiro, seguindo tendência de alta, pressionados por estoques baixos e demanda robusta.

A inflação segue pressionada. O índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) acelerou para 0,6% em fevereiro e acumula 6,4% nos últimos doze meses, com destaque para o preço de energia. O núcleo da inflação, que exclui energia e alimentos, subiu robusto 0,4% no mês e 5,4% em doze meses.

Os números de novos casos de covid-19 e de hospitalizações continuam diminuindo no país.

Europa: conflito segue e pressiona mais a inflação

O conflito entre Rússia e Ucrânia continua e entra na sexta semana. A Rússia manteve bombardeios em várias regiões do país, principalmente ao sul, em cidades portuárias. As negociações entre ambos os países foram retomadas. As expectativas de um cessar-fogo iminente não são promissoras.

Os preços das commodities seguem com alta volatilidade. O gás natural subiu aproximadamente 24% entre os dias 25 e 31 de março. A pressão nos preços foi intensificada pelo anúncio do presidente russo, Vladimir Putin, que compras da commodity deverão ser realizadas em moeda russa. Empresas na Europa aguardam mais detalhes, mas já preparam planos de contingência. O petróleo (Brent) recuou 10,6% no mesmo período. O anúncio do presidente americano, Joe Biden, de que os Estados Unidos irão liberar 1 milhão de barris de petróleo por dia durante 6 meses de suas reservas estratégicas ajudou a aliviar os aumentos da semana anterior. Adicionalmente, o trigo caiu cerca de 9% no período.

A inflação continua acelerando. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 7,5% nos últimos doze meses até março, segundo o Eurostat, um novo recorde, com forte aumento no preço de energia de 44,7%. O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, cresceu 3% no mesmo período em razão de aumento maior e generalizado nos preços de bens possivelmente refletindo restrições de oferta e repasse de preços de insumos, em particular energia.

A confiança na economia (índice de sentimento econômico, calculado pela Comissão Europeia) diminuiu 5,4 pontos em março, para 108,5. Houve uma melhora na confiança do setor de serviços, mas uma queda na confiança da indústria. Todos esses índices continuam acima da média de 2019.

O mercado de trabalho está mais aquecido no início do ano. A taxa de desemprego diminuiu de 6,9% para 6,8% em fevereiro, alcançando um novo mínimo da série.

China: medidas restritivas relacionada à covid-19 afetam a atividade

O número de novos casos de covid-19 tem diminuído, mas permanece na faixa dos milhares há quase três semanas, segundo dados da Comissão Nacional de Saúde. A cidade de Xangai, de 25 milhões de habitantes, entrou em lockdown por fases esta semana. A medida foi aplicada primeiramente na parte leste, que ficou fechada por quatro dias, seguida de um lockdown na parte oeste também de quatro dias iniciado em 1 de abril. O governo local anunciou medidas de apoio a empresas como corte de impostos, redução de aluguéis em prédios públicos e outras específicas a restaurantes, setor de turismo e varejo. O número de distritos considerados de alto e médio risco começaram a diminuir.

Os indicadores de atividade industrial sinalizaram contração em março. O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) de manufaturas calculado pelo Escritório Nacional de Estatísticas (NBS, na sigla em inglês) diminuiu 0,7 ponto para 49,5 e o PMI de manufaturas Caixin recuou 2,3 pontos para 48,1. Ambos os índices sinalizaram queda de novos pedidos domésticos e de exportação, contínua pressão de preços de insumos e aumento no tempo de entrega de mercadorias indicando deficiências na cadeia produtiva.

No setor de serviços, o índice também sinalizou contração. O PMI do NBS diminuiu 3,8 pontos para 46,7 com o impacto de medidas restritivas relacionadas a covid-19 pesando sobre o consumo. Os setores mais afetados foram turismo e entretenimento.

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Brasil

Pesquisa Focus: previsões de IPCA seguem subindo

A projeção para o IPCA continuou apresentando alta, tanto para 2022 (de 6,59% para 6,86 %) quanto para 2023 (de 3,75% para 3,80%). O número esperado para o PIB ficou estável tanto para 2022 (0,50%) quanto para 2023 (1,3%), assim como a taxa Selic, que ficou parada em 13% para 2022 e 9% para 2023. As projeções estão no Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne a expectativa das instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos do país.

Atividade: indústria expande em fevereiro

A produção industrial do mês de fevereiro registrou alta de 0,7% frente ao mês anterior – acima do esperado pela Equipe Econômica do C6 Bank. Olhando para os componentes da pesquisa, a alta foi generalizada, atingindo todas as categorias econômicas. O indicador de difusão, que mede o percentual de setores que tiveram variação positiva no mês, registrou índice alto. A divulgação de hoje corrobora os dados mais fortes de atividade que temos visto nos últimos meses. Nossa expectativa é que a indústria siga sem contribuir positivamente para o crescimento do PIB em 2022 em função da desaceleração global e da política monetária contracionista, mas o Brasil pode se beneficiar da alta recente dos preços de commodities. Dados de atividade continuam surpreendendo positivamente e corroboram nosso viés de alta para o PIB de 2022 de 0,5%.

A taxa de desemprego da PNAD Contínua de fevereiro surpreendeu positivamente o mercado pela nona vez consecutiva (mostrando queda mais intensa que o esperado) e atingiu 11,2% no mês. Na série com nosso ajuste sazonal, a taxa de desemprego passou de 11,5% para 11,2% no mês. O índice vem mostrando recuo desde o pico em dezembro de 2020 (15%), refletindo a recuperação do PIB de serviços. A pesquisa mostra continuação da retomada da ocupação e leve queda da taxa de participação no mês. Apesar da melhora, o indicador segue em patamar elevado, acima da média histórica e na nossa visão deve permanecer alto por algum tempo em função da desaceleração da atividade econômica. A inflação alta tem afetado a renda real, a despeito da alta de 0,1% nos rendimentos médios reais habituais em relação à divulgação do mês anterior. Nos últimos meses a renda real parou de cair, mas segue em patamar muito baixo.

Fiscal: arrecadação segue forte

A arrecadação federal de fevereiro veio em R$ 148.7bi e registrou um crescimento anual de 5,3% em termos reais. Setores ligados a commodities e combustíveis registraram forte elevação. O indicador segue vindo forte e coloca viés de alta para nossa projeção de resultado primário de déficit de 0,3% para 2022.

Inflação: pressão nos preços de bens agrícolas no atacado

O IGP-M avançou 1,74% em março, acima do esperado, e acumula alta de 14,77% em 12 meses. A composição dos índices de atacado mostrou o IPA agrícola elevado, registrando alta de 3,22% frente a 4,18% no mês anterior. O núcleo do IPA industrial – que inclui apenas os itens relacionados à inflação de bens industriais do IPCA, excluindo alimentos, combustíveis e minério de ferro – teve alta de 0,68% ante alta de 0,81% em fevereiro e segue pressionado. A inflação dos bens agrícolas veio acima do esperado por nós e teve impacto de 10 pontos base na projeção de IPCA de 2022. À frente, vemos riscos de a inflação de bens industriais registrar ainda mais pressão em função dos conflitos geopolíticos e das paralizações ocorridas na China decorrentes da alta de casos de covid, que devem retardar a normalização das cadeias globais de produção. Mantemos forte viés de alta para a projeção de 6% para o IPCA de 2022.

Equipe Econômica C6 Bank

Felipe Salles Head
Claudia Moreno Head Brasil
Claudia Rodrigues Head Internacional
Felipe Mecchi Internacional
Heliezer Jacob Brasil

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