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Open banking: saiba como vai funcionar o compartilhamento de dados bancários

Nesta nova funcionalidade, correntistas poderão compartilhar dados com outras instituições


Foto das mãos de uma pessoa branca mexendo no celular e digitando em um notebook. No centro da tela, existe a inserção gráfica de um cadeado rodeado de ícone de busca, carrinho de supermercado, sinal da rede wi-fi, cartão de crédito, rede global, dinheiro e de email.

Previsto para março deste ano, o início das operações de encaminhamento de proposta de crédito será a última medida da terceira fase do open banking.

Nesta nova funcionalidade, correntistas poderão compartilhar dados com outras instituições além daquelas nas quais mantém uma conta.

Assim, as pessoas poderão fornecer seus históricos financeiros para diferentes agentes de mercado e receber um número maior de ofertas de empréstimos e financiamentos. O objetivo é reduzir a assimetria de informação que existe no mercado devido à concentração de dados pelos principais bancos de varejo do país e dar mais competitividade ao setor.

Como o Open Banking vai funcionar?

Funcionará da seguinte forma: ao entrar, por exemplo, no site de uma varejista e comprar um bem durável, como uma geladeira ou uma televisão, o usuário terá a opção de fornecer determinados lotes de dados a uma série de instituições financeiras para receber ofertas de financiamento daquele produto.

A empresa detentora das informações precisará confirmar a autorização do compartilhamento mediante senhas corriqueiramente utilizadas para autenticação. Depois de o cliente consenti-lo, as instituições receptoras poderão fazer análises de risco de crédito com base nesses dados e, em seguida, oferecer o financiamento, caso considerem a operação vantajosa. Caberá ao cliente escolher a opção que julgar mais benéfica.

Para contratar os serviços financeiros ofertados por meio deste sistema, não é preciso abrir conta na instituição que fez a proposta de crédito. A operação pode ser efetuada nas plataformas do banco com o qual o cliente já tem relação e cobrada por meio do sistema open banking.

Varejo pode se beneficiar

Especialistas preveem um ganho de eficiência para as empresas do varejo, que poderão se concentrar na sua atividade-fim, sem precisar manter uma estrutura para serviços de crédito.

Esta inovação fará parte de diversos setores da economia além do mercado financeiro e do varejo.

O que vai mudar com o Open Banking?

O crédito, como qualquer produto disponível no mercado, tem um preço diretamente condicionado à oferta e à procura.

Com o equilíbrio das condições de competição entre as empresas do setor promovida por esta medida do Open Banking, haverá um aumento significativo das ofertas de empréstimos e financiamentos, além de incremento tecnológico às operações do sistema financeiro. Especialistas projetam redução do spread bancário associado a estes dois fatores.

Os encaminhadores de proposta de crédito contribuirão para a redução do spread no Brasil de duas formas: facilitarão a comparação de preços, porque vão colocar todos os bancos no jogo com igualdade de informações, e tornarão as cobranças mais eficientes com a criação de um padrão tecnológico único.

A redução das taxas oferecidas em financiamentos com o aumento da competitividade no mercado de crédito também deve aliviar a pressão dos endividamentos das famílias e melhorar indicadores econômicos.

A tendência é um efeito muito positivo na economia. Mais pessoas vão conseguir consumir e financiar seus projetos, seus estudos. O tamanho das dívidas deve diminuir também com a redução dos spreads.

O crescimento das fintechs, principalmente de bancos digitais, têm ensejado discussões sobre o horizonte das grandes instituições financeiras no Brasil. Para França, o aumento da competitividade trazido pelo advento do encaminhamento de proposta de crédito deve acender o alerta dos competidores mais robustos do mercado, mas terá efeitos positivos para todos.

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